domingo, 23 de outubro de 2011

HOMILIA FESTA SANTA TERESA DE ÀVILA

FESTA DE SANTA TERESA
Com Santa Teresa celebramos a Liturgia e somos enviados em missão
Paróquia Bom Jesus, Brumado, Comunidade Santa Teresa, 23 de Outubro de 2011

Caros Irmãos e Irmãs desta Comunidade de Santa Teresa e demais irmãos que aqui vieram para celebrar com esta Comunidade a Festa da sua Padroeira, Santa Teresa de Àvila.
Em cada domingo, o Senhor nos chama para, reunidos em seu Nome, celebrar o Mistério Pascal de sua Morte e ressurreição: a entrega que Ele faz de sua vida como sinal maior de amor à humanidade. De fato, celebrando hoje a morte e ressurreição de Jesus, reafirmamos a sua entrega como gesto anunciador da proposta do Reino que Ele iniciou neste mundo.
O caminho iniciado por Jesus não encerrou com a sua morte, mas floresceu e frutificou na vida de tantos homens e mulheres que, em todos os tempos e de todos os lugares do mundo, acolheram a proposta de construir um mundo novo. E dentre estes homens e mulheres que seguiram Jesus, encontra-se Teresa de Ávila, que viveu no século VXI e aos 20 anos de idade entrou para a vida religiosa no Carmelo de Àvila, na Espanha. Teresa viveu numa época muito conturbada, e com seus extraordinários dons, juntamente com São João da Cruz, colaborou na reforma que a Igreja tanto necessitava, deixando para nós um exemplo de como devemos cultivar a fé mesmo em meio ao caos que parece vivermos nos tempos de hoje.
Por isso, irmãos e irmãs, buscando o exemplo de Santa Teresa de Ávila, deixemos que a Palavra de Deus que acabamos de escutar chegue aos nossos ouvidos e, principalmente, em nossos corações, para que vivamos também o seguimento ao Cristo, que nos chama.
A Liturgia da Palavra de hoje tem como eixo central o amor a Deus e aos irmãos. No Evangelho segundo Mateus, Jesus afirma aos fariseus que toda a lei dos profetas se resume nestes dois mandamentos: o amor a Deus em primeiro lugar e, conseqüentemente, o amor ao próximo. Este é o centro de toda a lei do Antigo Testamento, mas que fora esquecido por causa das várias interpretações, obrigações e proibições que os doutores da lei e dos fariseus criaram, para que o povo pudesse cumprir. A lei de Deus, na época de Jesus, tinha sido reduzida a um conjunto de regras e normas, tornando-se por isso, instrumento de opressão e exclusão, sobretudo dos pobres e doentes.
É possível amar verdadeiramente a Deus sem amar o próximo? Se olharmos a maneira como muitas pessoas buscam a Deus hoje, podemos perceber o desligamento que há entre a busca da fé e o compromisso com Deus na pessoa dos mais sofredores. É comum vermos na televisão ou nas Igrejas, a busca individualizada de Deus.
O Livro do Êxodo, ilumina nossa reflexão, fazendo-nos compreender que este tipo de fé é vazio, pois só podemos dizer que amamos verdadeiramente a Deus se estivermos dispostos a amar o próximo.
Na compreensão do Antigo Testamento, amar o próximo significa acolher e não maltratar o estrangeiro, não fazer mal, não explorar as viúvas nem os órfãos, nem deixar de ajudar o pobre em sua necessidade. Estrangeiros, viúvas e órfãos representavam na época classes marginalizadas. O Documento de Aparecida, que ilumina a caminhada da Igreja Latino Americana, vem nos falar de novas formas de exclusão que existem hoje em nossa realidade: “comunidades indígenas e afro-americanas que, em muitas ocasiões, nãos são tratadas com dignidade e igualdade de condições; muitas mulheres são excluídas, em razão de seu sexo, raça ou situação sócio-econômica; jovens que recebem uma educação de baixa qualidade e não têm oportunidades de progredir em seus estudos nem de entrar no mercado de trabalho para se desenvolver e constituir uma família; muitos pobres, desempregados, migrantes, deslocados, agricultores sem terra, aqueles que procuram viver na economia informal; drogados; meninos e meninas submetidos à prostituição infantil, ligada muitas vezes ao turismo sexual; também as crianças vítimas do aborto. Milhões de famílias vivem na miséria e inclusive passam fome...” (D.A.,65).
São Paulo, na Carta aos Tessalonicenses convida-nos a imitar o Cristo, acolhendo a sua palavra com a alegria do Espírito Santo, apesar das tribulações, convertendo e abandonando os falsos deuses para servir ao Deus vivo e verdadeiro. O que nos impede de seguir a Cristo? O que nos perturba no seguimento a Ele? O que precisamos abandonar para sermos mais fieis a Deus? A conversão é um processo constante em nossa vida. Santa Teresa, aos 62 anos de idade, no auge de sua maturidade cristã, escreveu em dois meses uma obra conhecida depois no mundo inteiro, chamada O castelo interior ou Moradas. Nesta obra, ela descreve a sua experiência com Deus, passando por 7 moradas, ou sete estágios; do mais superficial até o mais profundo. Ela nos ensina que assim deve ser considerada toda a nossa vida de cristão: à medida que vamos avançando na fé, vamos adquirindo experiência, conhecimento e principalmente maturidade, até chegar ao estado de espírito mais elevado, que ela chama de paz interior, cantado tão belamente por sua poesia “Nada te perturbe...”.
Peçamos hoje, irmãos e irmãs, a intercessão de Santa Teresa de Ávila, doutora da Igreja, patrona dos professores, pelos professores de nosso tempo, muitos deles cristãos, católicos, mas que em seu ofício de ensinar relativizam e até banalizam a fé, reduzindo a educação num simples ato de transmitir conhecimento, sem considerarem a importância de seu testemunho como cristão na vida de tantos alunos, jovens e crianças.
 Irmãos e Irmãs aqui da Comunidade Santa Teresa e que vieram nestes dias de novena para celebrar, a festa do padroeiro é sempre um ponto de chegada e de partida: chegamos ao final destes dias de novena e, celebrando a Liturgia, somos enviados em missão. Santa Teresa no ajude a manter viva a chama da fé em nossas comunidades, em nossa Igreja, apesar de toda e qualquer dificuldade. Amem.

Pe. Waldech Brito Gondim - escrito em 22 de Outubro de 2011, para a Festa de Santa Teresa.

Um comentário:

  1. Ola, que bom encontrar este blog onde posso ler com calma suas homilias que aprecio tanto, ainda mais agora que esta indo para outra paróquia e não teremos mais a oportunidade de ouvir nas nossas missas. Tenha certeza que estarei sempre visitando este blog abencoado. Fique com Deus.

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